domingo, 3 de abril de 2011

EU E O MUNDO


Quem sou? não sei, talvez estou... pode ser. É, talvez uma possibilidade...uma identidade em trânsito, na fronteira, na margem... Sei que sou um copista, um mero reprodutor ( não no sentido literal da palavra, afinal, não nasci só para procriar, não sou um bicho que perpetua a espécie). Me ensinam a copiar desde criança:Por exemplo, as palavrinhas felizes que aprendi e que passo adiante em meu discurso : "fala mamãe","papai". "Olha meu filho, meninos jogam bola, meninas brincam de boneca". Azul para meninas e rosa para os meninos? não, não é assim, deixa de colocar essas bobagens avançadas a mim e aos outros, que absurdo... " é o Juízo final". Copie como eu te ensino: "azul para meninos e rosa para meninas" Assim está melhor. Fico feliz, diz a mãe... A escola? veja a escola que temos, cópia também? sei lá, isso é demais pra mim. Os modelos, as estruturas, os locais, os espaços, demarcados social e simbolicamente... que no discurso de inclusão acaba enaltecendo uma exclusão invisível, posto que é muito sutil. Enfim, deixo isso pra depois... afinal, é menos doloroso o processo de irreflexão, dizem alguns... O que quero ser quando deixar de crescer? anseio não ser: hipócrita, mentiroso e mascarado com os outros, mentir somente quando for uma mentira social, necessária para o bem viver. Por exemplo? Você não é chato. Você está tão bem. É brilhante o que você disse sobre o Programa do Faustão; do topa tudo por dinheiro, do Sílvio Santos e do "vai dar namoro ", do Faro. Quando na verdade, nunca esteve bem depois do término do último relacionamento, depois de ter perdido a oportunidade da vida, que esperava há muito.. Por isso é chato, reviver o passado o tempo todo, algo que os Dadaístas detestam, eu também. Olha eu mentindo de novo... Estou em busca do pensar, do (trans)formar. Refletir sobre aquilo que jogamos para debaixo do tapete, ou, para dentro de nossa lixeira mental, porque sempre na maioria das vezes, esperamos que o turbilhão da ação passe e não nos cause transtorno. É mais fácil e o processo menos doloroso.No entanto, a inércia mental pode parecer mais fácil, pois, que não te cobra nada agora, vive-se supostamente feliz e não se questiona nada. Apenas usa-se e descarta aquilo que não quer mais, ou que não tenha uso prático. O que quero hoje? neste momento? agora? não sei, sei que quero ser feliz com a realidade concreta , real e até surreal que tenho, por que não? O sonho segundo Freud são os pensamentos e desejos inconscientes que ameaçam acordar uma pessoa, a isso chamam, "conteúdo latente do sonho". Quero acordar, para sair do mundo de hipocrisia, de falsas verdades que me impõem normas regulatórias, controladoras, punitivas e restritivas. Quero sair do armário imundo que estou. As traças me corroem, o mofo me sufoca, o ar está denso... O discurso do politicamente correto, aceito, normatizado, regulado, não te deixa questionar e não me deixam também,afinal, comigo não seria diferente. Posto estas palavras regurgitadas de mim, peço, imploro, rogo, faço até penitências, prometo deixar o Profano para reverenciar o Sagrado, deixo de ser "anormal" para ser a norma ou normal, como preferirem. Deixo de ser o trânsito e passo a ser o fixo. Deixo de ser o incomum, para ser aceito no banal, mas deixem que Foucault me (des) construa e que ninguém mais "Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo".
by Aldo Fernandes

Um comentário:

Érico disse...

Muito bom!!! Transgredir é o que há!!!!