domingo, 7 de setembro de 2014

Antíteses da vida
Acordo.
Sem a minha vida...
Não materializo.
Se rio.
Apareço.
Se bebo.
Choro.
Minha vida está em farrapos.
Frangalhos do amor inexistente.
Enganos, promessas, dispensas.
Sem sua vida...
Não existo.
Apago.
Não como.
Sumo.
Não amo.
Durmo.
Pílula da existência
Quando te vi: existi.
Brumas, plumas e sensações.
Amores, pudores, estertores.
Arranhões, grilhões, comichões.
Sumi.

   
Surreais impressões do nada
Acordei, percebi que estava no meio do nada.
Tudo era cinza, devastado, explorado.
Ouvia seres, vozes e fantasmas.
Monstros comiam a si próprios.
Pessoas diluíam-se a si próprias.
Não via corpos.
Visualizava montes de carnes putrefatas.
Não via gente.
Enxergava vermes em decomposição.
Olhava adiante, tudo era soturno.
O nada, o tudo e ao mesmo tempo o caos.
O buraco, a vastidão e a sensação.
Aves de rapina desciam à Terra.
Eram os comensais, ladrões de vidas.
As carnes devoradas eram.
Eram devoradas as carnes.
Os ossos gritavam-me.
Pediam-me o auxílio inaudível.
Socorro! Socorro! Socorro!
Queriam se libertar da prisão existencial.
No anseio da libertação, um confidenciou-me,
_nunca gostei de ser encosto de gente,
_nunca quis ser suporte de carne,
_ nunca aceitei uma vida pungente,
_ sempre fui e quis ser um silente.
Impingidos somos todos os dias.
A ser vermes, ossos e carnes.
Monturos, restos e sobras de tudo.
Descartam a todos nos lixões sociais.
Jogam-nos fora dos olhos sensoriais.
Dormi, percebi que estava no meio do tudo.
Tudo era escória, construído, oprimido.
Tenho o quê?
Tenho os olhos tortos. Mortos, portos, ossos.
Tenho a vida triste. Mortos, postes, ristes.
Tenho o passado envolto. Mortos, tortos, rostos.
Tenho a face encardida. Mortos, entretidas, descabidas.
Tenho o amor morto. Mortos, Encostos, pressupostos.
Tenho o sexo nu. Mortos, ânus, anuns.
Tenho o beijo doce. Mortos, agridoces, acridoces.
Tenho a vida-morte. Mortos, post-mortem, sortes. 

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Angelus do Ébano

Embalaste a doce noite que descansa o meu corpo.
Devaneios, aparições e prisões os meus sentidos registraram.
Havia um anjo de asas abertas que protegia o meu universo onírico.
Era um meigo e moreno ébano, cujos respingos cintilavam a minha retina.
O seu corpo era esguio e doce como o pau-canela.
O seu olhar era tímido e sensível como o aroma de anis...
Oh, Moreno doce! 
O teu sopro aqueceste o meu corpo.
Venhais das abissais e inconscientes cobiças e materializa o meu desejo...
Libertai-me deste corpo enrijecido de carne.
Alforriai-me das paixões terrenas.
Corpo, Alma, ardor e amor...
Anjo nobre desperta este torpor.
Quero ser o híbrido entre o humano e o etéreo.
Mesmo que isso seja para muitos um despautério.
Almejo ser o profano que toma em seus braços o sagrado,
meu delicado Angelus de Ébano.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

AUGUSTUS


Vens, abraça-me com o seu hálito seco.
Inebrie as minhas narinas e queime-as.
Faça-me sentir as ventanias acalentando as minhas ruborizadas faces.
Traga-me o fim da frialdade d’alma...
Assombrações que balançam as redes,
roguem as preces que mitigam a dor da vida
Oh, Leões e Virgens!
Feras e brandas entidades,
visitem-me entre o fogo e a terra.
Adorada Lua, morada astral das Musas.
Lava-me as impurezas torpes.
Venerado fogo, metamorfoseado em Uirapuru.
Assobie em meus ouvidos como pássaro humano.
Encante a minh’alma e afasta- me da soledade.
Venha Augustus,
preciso de ti.
Dias e dias, até trigésimo primeiro dia.
Aziago, tempo de (des)gosto.
Oitavo mês do ano, período do agosto.





quarta-feira, 9 de julho de 2014

"QUEM ME É? UEM ME SABE SER?"

Oficina poética: textos publicados no jornal Diário da Manhã em 06/07/14 no caderno Oficina Poética
http://www.dm.com.br/jornal/#!/view?e=20140706&p=24