terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Tio Virgílio, passei por aqui para dedicar um tempo à escrita desse breve texto. Antes de tudo, sabe da admiração que tenho por você, por isso, não seria justo que postasse simplesmente algo que não fosse de minha autoria. Quero que saiba do grande carinho e respeito que tenho por você. Tenho a certeza que a sua existência marcada na minha vida não é algo por acaso, nesse sentido, agradeço sempre por permitir que estivéssemos juntos mais um ano. Levarei comigo onde quer que esteja as suas opiniões,valores e visões de mundo que me acrescentam muito. A sua generosidade me constituiu como ser humano, nunca esquecerei da sua presença no momento que mais precisamos de você: a viagem do meu pai e de minha avó. Assim, de forma simples, como a vida deve ser,quero que o ano de 2014 seja de muita alegria e paz de espírito para todos e todas próximos a você. Desejo ainda que a sua vida seja marcada por coisas boas, que possam torná-lo melhor como pessoa nesse mundo que precisa muito de generosidade.Quero também que as nossas conversas continuem, pois eu aprendo muito com você. Mais uma vez, digo, sinto muito orgulho em ser o seu sobrinho e não escondo de ninguém esse apreço. Muita luz e muita paz!!! Feliz 2014!!!!!!!!!!
Oi, Bruno Roger, achou que me esqueceria de passar por aqui ? Não faria isso porque você é alguém que tenho um carinho enorme. Sabe, quando estudei com você analisava muito o seu jeito de ser, analisar é algo idiossincrático a mim, você sabe disso. Então, percebia o quanto carregava valores que infelizmente estão caindo em desuso. Via em sua maneira de sorrir para a vida uma simplicidade que anseio resgatar em minha vida. Constatava ainda uma generosidade no olhar que cativa e ampara quem precisa de palavra e apoio e ao conhecer a sua mãe entendi de onde emanava essa simplicidade no olhar. Assim, compreendi que valeu muito a pena ter transferido o curso de Inhumas para Anápolis, pois conheci pessoas maravilhosas das quais levarei pela via afora e você é uma dessas pessoas que acrescentam muito e alegra a todos e todas em sua volta. Quem o conhece sabe que tenho razão. Espero que o ano de 2014 seja repleto de coisas boas,sobretudo, saúde, alegria e paz de espírito, valores que precisam ser resgatados pela humanidade.Desejo ainda que a sua família seja amparada pela Luz Maior que fortalece e revitaliza o nosso espírito. Muito obrigado pela amizade e carinho que sempre devota a mim. Que venham novos caminhos em nossas vidas, quero aprender muito com a sua forma de entender o mundo. Conte comigo, sempre! Feliz 2014!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Minha querida Helen Cristina, queria dizer aqui algo que já venho dizendo há muito para você: o quanto adoro a sua presença. Gostaria de agradecer sempre o carinho e a gentileza com que trata a nossa amizade. Para mim você é uma joiarara da qual não podemos deixar de ter por perto. A sua família com certeza não resta dúvidas, tem muito orgulho de você assim como eu. Esse ano de 2013 foi um ano de muita luta para nós, queríamos fazer a diferença num mundo padronizado que teima em nos colocar iguais. Posso dizer que vencemos essa imposição porque juntos aprendemos que o conhecimento nos liberta das amarras e você , também, está conseguindo romper aos poucos com tantas crenças dadas não é mesmo? Quero de forma muito singela materializar aqui o quanto tenho orgulho de você. Agradeço a Deus@ todos os dias porque uma das melhores coisas que aconteceram na graduação foi eu ter o olhar sensível ao seu e enveredarmos nesse caminho fraternal. A sua amizade para mim é de grande importância porque me faz ver quem eu sou e o que posso não ser, me faz perceber que posso ir mais longe do que acredito. Desejo coisas melhores a ti e peço que tenha um olhar sensível diante da vida para decodificar os recados que nos chegam pelas cartas diversas nas relações humanas. Que estejamos juntos e fortes nesse ano que se apresenta. Com muito carinho, obrigado pela presença em 2013. Você é muito especial. Feliz 2014!!!!!!!




Pedro Faria, meu querido amigo, não tenho palavras para materializar o meu sentimento de carinho e respeito por você. Não seria justo dedicar tempo para a escrita aos amigos e deixar de mencionar você. Lembro-me quando cheguei a Inhumas, o primeiro a me estender a mão foi um rapaz de olhar tímido. Naquele momento, sentia-me deslocado porque vinha de outra cidade e Deus num instante me colocou uma pessoa generosa para receber um rapaz de “segunda chamada” na universidade. Não sou de falar muito, você me conhece, mas sou de exteriorizar o que sinto ou pelo menos tento. Sabe também que não importo com a redundância quando se tem em mente uma possível omissão. Deste modo, não poderia encerrar o ano de 2013 sem ao menos mencionar o quanto sou grato pela sua amizade. A sua generosidade me faz sentir bem e percebo a partir dela que posso ser humano também, tenho a capacidade de ser simples, não esquecer minhas raízes, onde quer que chegue ou esteja. O seu nome, não por acaso, significa pedra, fortaleza, que nos incita a seguir sem medo. O seu cuidado e o respeito tido pelas pessoas só denotam os valores dados pela sua família e isso o torna maior do que imagina. Sei que essa não é somente a minha opinião, é a de muitos que o conhecem e convivem com você. A simplicidade que percebo no seu olhar são pérolas dadas pelo seu pai e mãe que o menino de Mossâmedes traz para mostrar que a vida é feita de coisas simples; é isso que o torna grande. Por meio da sua simplicidade constato que o importante são os momentos de qualidade que passamos ao lado de quem gostamos. Por isso, peço que agradeça diariamente por ser privilegiado com esses valores semeados em sua alma. Nesse contexto, adoraria dizer muitas coisas, mas, me embargo a escrita e a voz porque sinto que não tenho muita proficiência para falar e escrever em público. O que preciso que saiba, já disse pessoalmente e reitero sempre a você quando nos encontramos. Tenho esse posicionamento para que as palavras não se tornem vazias, porque quando encontro com você em Inhumas sinto que sou grande e que posso brilhar, já que você brilha com o luzir da humildade. Isso só é possível porque é generoso. Puxo muito a sua orelha e exijo ainda em grande quantidade a sua fortaleza diante das intempéries da vida, porque quero que você reflita sobre as suas crenças que de vez em quando o atrapalham. Faço isso porque sei que pode ir mais longe do que imagina. Não seria o seu amigo se não brigasse com você, pois amigo é aquele que nos chama à repreensão quando não vemos os sinais da vida. Assim, encerro essa breve escrita num tom de gratidão, melancolia e saudosismo, para sinalizar aqui o desejo de que o ano de 2014 seja o tempo da reflexão e de conquistas, não somente materiais, mas, aquelas que poucos vêem e sentem, das quais somente os espíritos nobres acessam. Sinto muitas saudades das nossas conversas, somada a falta do seu olhar crítico e cauteloso diante da vida. Peço que me perdoe pela ausência temporária, sabe o quanto tive de recusar muitas coisas para concluir mais uma etapa na vida, no entanto, você sempre estava e estará em minhas preces e pensamentos. Peço a Deus e a você, que no ano nascente possamos aprender muito com a nossa amizade pelos próximos anos e desejo que a Luz e a Paz sejam espargidas para todos e todas de sua família. Feliz 2014!!!!!!!!!!!!!

sábado, 28 de dezembro de 2013

Reflexões virtuais no final de 2013

A intenção dessa escrita é refletir sobre o ano que se finda na vida social∕virtual. Para esse intuito, necessário se faz que esse texto haja um tom confessional. A partir de algumas leituras de Foucault, percebo que o nosso tempo herda o confessionário como atributo social que nos marca e posiciona no mundo. Desde séculos da Idade Média, a igreja nos impõe confessar sobre os nossos pecados e mazelas para sermos absorvidos da nossa impureza por alguma instituição . Na atualidade, a confissão se materializou com novas roupagens que foram rompidas pelas redes sociais e outras mídias. É o que acontece diariamente quando “compartilhamos” os nossos medos, anseios e alegrias para todos e todas nos blogues, nos posts ou na imposição doentia facebookiana do “no que você está pensando”. Deste modo, como proposta de lançar novos questionamentos, como dito anteriormente, movo essa escrita confessional para encerrar esse ciclo da nossa vida: o ano velho .
Quem me conhece mais próximo sabe que esse ano de 2013 não foi fácil. Foram muitas recusas e entregas para chegar numa conclusão satisfatória do que planejara em 2012. Nesse ano que finda, posso pensar o quanto a minha vida foi profícua, pois fiz coisas que gosto muito como escrever e viajei em diferentes eventos acadêmicos rumo à socialização dessas escritas para que crescesse com outras vozes. Conheci novas pessoas que me somaram no saber da vida. Nesse tempo de 2013 neguei muitas amarras, que, de certa maneira, foram impostas nas relações sociais desde tenra idade. Uma destas negações foi que não queria pensar do mesmo jeito que pensava antes. Almejava ir adiante para crescer como ser humano e libertar-me dos processos discursivos de vitimizações que nos entrelaçam no cotidiano da vida. Queria ser maior para alcançar outros projetos e com isso, contribuir com a minha participação no mundo. Entretanto, chorei, senti dores na alma e no corpo e pude mais uma vez aprender com os sinais do universo de que algo precisava ser (re)pensado.
Ao passar por processos de renúncias refleti e notei o quanto há pessoas que se deixam condicionar pelo discurso da moda contemporânea do “não tenho tempo”, “estou correndo com a vida”, quando tiver um tempo... tempo... tempo, te ligo. Confesso que fiquei preocupado porque estava incorporando esses mesmos dizeres.  Dessa maneira, enxerguei que devemos rejeitar essas vozes porque nos entorpecem os sentidos humanos e nos transformam em máquinas frias e impessoais diante da existência. Dito de outro modo, constatei que a nossa vida não pode ser pautada somente por postagens frígidas e impessoais de feliz aniversário, feliz natal, feliz ano novo etc e tal. A vida definitivamente não está circunscrita a partir de fotos que corroboram uma suposta felicidade e bem sucedida existência ou de interações imagéticas do ser humano. Não, não e não, nego isso. A vida é mais que celebrar curtidas virtuais. A vida é subversão de muitas coisas, dentre tantas, o que é imposto e dado de forma natural que ensina a força do consumo e do ter, como sinônimo de “bem-estar-feliz”. Definitivamente essas práticas realmente não enobrecem os outros e nem nos tornam melhores; fui incompreendido por muitos por não aceitar essa imposição.
Refleti acerca do tempo e entendi que quando se quer tempo para o outro importante para nós, há sempre a possibilidade de alterar a jornada diária condicionada no ganhar dinheiro e “sobreviver” para estar ao lado de quem amamos, afinal, não é a quantidade dos encontros, mas a qualidades destes que soma nas relações de afeto. Como um flâneur, observei que não amamos todas as pessoas de nossa rede virtual, como bem afirmam alguns por aqui, pura ilusão. O amor não pode ser um sentimento banalizado. O amor é algo além daquilo que é dito para agradar sobre o que queremos ouvir. Nesse sentido, o amor pode ser demonstrado no momento em que segura a nossa mão em momentos de desordem e caos, e não somente amar é quando se diz tudo aquilo que o nosso ego quer ouvir, mas, devemos também amar quem nos faz recusar o que somos, posto que nos ajuda a transformar a nós mesmos na desestabilização do instituído. Essas pessoas posso dizer que são os nossos verdadeiros amigos, porque nos auxilia a recusar o que somos para sermos melhores e mais sensíveis ao alheio. O novo ano pode ser a promessa disso.
Visualizei em parte na rede muitas coisas acerca do estilo de vida virtual, como por exemplo, as existências marcadas por closes, flashes, fotos e ditos exacerbados, condicionados por uma espécie de “espetacularização do eu”, como forma de demonstrar sucesso, afeto, e “felicidade”, mesmo que em algumas vezes negligencia-se o privado. Privacidade é uma palavra em desuso na sociedade contemporânea, já que estamos o tempo todo vigiados pelos celulares, câmeras e holofotes com uma constante obrigação em levar para o público a nossa vida: filma-se e∕ou tira fotos do almoço, jantar, restaurante, o lazer, o sexo, o nascimento, a morte. Contudo, pode não ser um caminho muito saudável, porque nos deixam dependentes e viciados na tentativa de angariar curtidas e compartilhamentos o tempo todo, para isso, vale a invasão ao direito do outro à privacidade, numa mórbida fissura de tirar foto de todo encontro casual. Quem vai à contramão disso é tido como “anti-social”, tecnófobo e “chato”. Ainda nesse contexto, vi também o lado positivo dessa “rede social”, como as pessoas mil que não se falam nem um minuto na rede e∕ou corredores da vida, porque há uma imposição simbólica da quantidade de “amigos”, como atributo de popularidade. Não, não e não, isso não é sociabilidade, isso é mediocridade.
Posso dizer que tenho poucos amigos verdadeiros em minha vida que colaboram e me faz melhor no dia a dia e estes não estão limitados a rede social de jeito nenhum. Esses amistosos sabem sobre mim, conhecem as minhas angústias, alegrias e, da mesma forma, procuro saber do outro para retribuir nos momentos de angústias, alegrias, o crescimento que ambos obtiveram. Os meus poucos amados, falaram comigo nesse ano, ligaram, tomaram sorvete, viajaram e souberam o quanto preciso do amparo cuidadoso desse sentimento fraterno. Esses encontros só foram possíveis porque disponibilizamos tempo de nossas vidas “corridas” para estarmos juntos.
Dessa maneira, resolvi dedicar tempo precioso para dizer nesse texto sobre a importância de não se viver como robôs, frios e previsíveis no ato de executar uma tarefa. Quando se trata de humano, de relações afetivas, devemos questionar esse novo modelo de vida imposta com naturalizações, afinal, não é natural, substituirmos as nossas relações afetivas pelo virtual, pelo torpedo impessoal, pelo recado ou pelos emails descompromissados, embora haja uma corrente de pensamentos que defendem esses recursos como aproximação social. Ainda que acredite em partes nesses discursos, analiso-os e concluo que se faz necessário resgatarmos o “tete a tete”, a pele a pele para sermos vivos e humanos.
Quase por fim, compreendo diante do que apreendi nas redes sociais, que, esse tempo atual é o lugar que se vivencia uma nova ordem social, discutida por Gay Debord (Sociedade do Espetáculo) e Mario Vargas Llossa (A Civilização do Espetáculo), em que o espetacularizar é recorrente e se torna uma prática social aceita e valorizada da qual a sociedade do consumo não se esquivará tão fácil. De tal modo, concebo que esse espetáculo fabrica pessoas que estão perdidas pela lógica do consumo, do sonho realizado por um “deus” indecoroso que protege poucos e privilegia alguns. Nesse contexto, o que mais constatei no facebook no ano de 2013 foi o dito ∕escrito “você merece” após a postagem do carro novo, da casa, do namorado ou namorada, do novo corpo. Ora, esse discurso do mérito aniquila e insubordina o social, pois dá lugar ao outro de fracassado sem questionar as práticas sociais e econômicas, uma vez que subentende que, aquele não possuidor dos bens de consumo merece esse destino devido a incapacidade de servir esse “deus”  implacável que escolhe a dedo quem deve agradar com as recompensas para se espetacularizar na “vida de sucesso”.
Portanto, nesse novo ano que se mostra pela fenda do tempo, desejo a todos e todas mais reflexão convergida com a emoção. Para decodificarmos as cartas do universo que nos chegam precisamos de sensibilidade e atenção, e o mundo moderno entorpece esses atributos. Temos uma herança que de certa forma matou o humano, o pensamento cartesiano, que assevera uma incongruência do ser racional e emocional. Estes predicados digladiam e não se aceitam, porque foram-nos ensinados que a razão é superior à emoção. Entretanto, com os olhares atentos pude libertar-me dessa outra amarra, pois entendi que posso ser sensível e racional sem sentir culpa. Que esse ano vindouro possibilite novas trocas, saberes, dúvidas e novos caminhos que nos façam recusar o que somos para pensarmos diferentes do que pensamos hoje. Feliz 2014 a todos e todas por aqui e muita saúde e paz !!!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O Direito ao gozar sem repressão!




Há muito tempo as mulheres estão sendo violentadas nos seus direitos em exercer as sexualidades como convêm. Eu, ao passo que sou estudante de alguns campos teóricos relacionados às sexualidades, gênero e discurso e um cidadão consciente de seus direitos e deveres sociais, abomino a amputação de direitos às sexualidades, ao exercício destas como direito à sua plenitude. As mulheres, embora os mais conservadores não creem, têm o direito de se relacionar com homens, mulheres e/ou outras identidades para gozarem, amarem ( caso queriam). O gozo não pode circunscrever somente ao lado do (hetero)normativo, do instituído e aceito como "normal", mas, o gozo pode e deve fazer parte de todas as identidades que são "anormais"-fora da norma. O gozo-ar não pode ser algo que está fadado ao fim do "ser homem", do " ser macho, mas, o gozo-ar pode e deve circundar as intersecções que permitem vivenciar as sexualidades no meio e fora do centro. Subverter esse centro significa dizer que, na maioria das vezes, contestamos aquele que domina e determina o modelo a ser seguido para viver as sexualidades, negamos o esquadro que anseia tornar "cor-reto" as sexualidades alheias.Dito de outra forma, refuto toda forma de insubordinação e opressão da outridade alheia, nego que as sexualidades possam ser controladas por discursos e práticas aceitas pela sociedade, ainda que saiba que são controladas, policiadas e governadas para a docilidade . Sinto-me indignado em relação aos homens machistas e porque não, algumas mulheres ( puritanas-machistas) que não gozam, não sabem o que é sentir prazer, a não ser, quando, de forma insubordinada, transam com os seus maridos para procriação porque foram ensinadas desde o útero materno o que é "ser mulher" e qual deve ser o corpo governado dessa mulher para ser boa, pura e dócil. Assim, o mito do sexo para procriação é tratado como se fosse a causa única de ser e estar no mundo no cumprimento de papeis sociais. Nesse sentido,na medida em que controlamos o sexo dos outros e o policiamos, governamos os seus corpos e assim, concordamos com o apagamento desses corpos, corpos sociais mutilados, desejos invisíveis e negligenciados por uma lógica perversa que se perpetua desde milênios. Ou seja, todo esse respaldo social serve para dominar e legitimar as práticas sociais hegemonicamente machistas que excluem a diversidade humana no uso do atributo afetivo-sexual. Não podemos concordar com o retrocesso, as mulheres, os gays, as lésbicas, as transexuais, as travestis e outras identidades de gênero têm o direito de gozarem e não serem ridicularizad@s na mídia, na sociedade, nas redes sociais, porque gostam de sexo, gostam de vivenciar o direito ao prazer que durante séculos foram negados..

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Gratidão ao médico



“Prometo que, ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência”
Esse excerto acima é o juramento de Hipócrates que vem de encontro à nossa tentativa em refletir sobre a medicina na atualidade. Acho importante que nós cidadãos façamos sempre que possível, críticas e ressalvas aos bens públicos oferecidos pelos governantes. Quando não satisfeitos, podemos exercer a escrita como algo que permite a inserção no mundo social do qual fazemos parte porque a linguagem constrói a nossa realidade e a molda em diferentes práticas sociais. Dessa maneira, esse texto não tem o intuito de denunciar nenhum órgão público quanto ao seu serviço. Não tem o intuito de dicotomizar a figura do médico em “mocinho” e “vilão” como se tem evidenciado na contemporaneidade. Pelo contrário, essa escrita evidencia gratidão pela prestação de serviço oferecido pela rede pública de saúde, sobretudo, na prestação de serviço dada por vários profissionais teimosos contra o sistema instituído que validam o juramento de Hipócrates na labuta diária. Aqui os homenageados têm nome. Contudo, poderia ser quaisquer médicos do nosso Brasil que lutam contra um sistema falido sem condições mínimas de dignidade no ofício da medicina. 
Dias atrás, recorri ao médico em função de problema de saúde, indo até o posto próximo ao meu bairro. Nunca havia consultado com esse médico que chegara pouco mais de um ano. O seu nome, Leonardo Driessen Rodrigues Carvalho, prestador de serviço do Programa Saúde na Família (PSF) no Jardim Suíço na cidade de Anápolis. Fiquei impressionado com a organização e limpeza desse recinto. Embora já houvesse prestado serviço para a prefeitura Municipal de Anápolis na confecção dos cartões do SUS em anos anteriores, havia muito tempo que não ia até essa unidade de saúde. Atento, com o meu olhar perscrutador, por sinal, habilidade desenvolvida na reflexão diária de pesquisador, comecei a sondar o ambiente que voltara como paciente e não prestador de serviço de outrora.
Fiquei impressionado ao longo das minhas idas e vindas, com tantas pessoas falando de um médico, jovem e atento à comunidade local. Ao indagar algumas pessoas sobre esse médico, as pessoas me confessavam que adorava esse profissional porque ele era atencioso, gentil e excelente pessoa. Ora, fiquei pensando sobre essa suposta atenção, que até então não havia confirmado para mim. Seria diferente o que se ouve e propaga no senso comum? De que os médicos são impessoais e frios? Sim, seria.  Então, após ouvir essas polifonias ressoantes, pude perceber que as pessoas querem se sentir valorizadas. Constatei nesse breve momento, que as pessoas ansiavam ser reconhecidas com as suas mazelas e tratadas como cidadãs que pagam os seus altos impostos para alimentar a máquina pública no Brasil. Assim, nesse recinto em Anápolis, o que ocorria é a valorização do ser humano. Inferi que as atendentes desse posto têm também como incumbência mitigar o desumano que muitas vezes presenciamos em diferentes clínicas e hospitais (públicos e/ou privados) nas grandes cidades e nos interiores.  Os pacientes ali são tratados como humanos. São seres que, por diferentes motivos se sentem fragilizados por algum mal e/ou doença que bate à porta e que almejam a cura. Cheguei à conclusão que o respeito e a prestação de serviço ética dada pelos profissionais da saúde que ali estão são capitais para que os pacientes se sintam valorizados, cuidados e amparados. Assim, constatei que esse jovem médico, cujo nome é Leonardo Carvalho, atende as pessoas com respeito e tratamento humano, como se confirmou nas vozes que ecoaram até mim enquanto estive passando por ali em retornos de consulta. Queria ouvir aquelas pessoas e sai da recepção para sondá-las enquanto aguardava a minha vez. Embora não fosse nenhuma pesquisa etnográfica, queria perscrutar e entender esse processo.  
Lembrei no momento que ouvia alguns pacientes no posto, da minha querida amiga Aline Neto de Almeida, médica neurologista em Goiânia. Lembrei-me de suas agruras diárias para o sonhado exercício da medicina. Foram tantas lutas para se formar médica. Foram tantas horas de sua vida dedicada para forma-se com qualidade. Noites de estudos e excessiva carga de motivação para ser algo que escolhera. Notei que o mesmo olhar que circundava Aline, rodeava Leonardo, cercava outra médica também da qual pude conhecer nesse mesmo posto de saúde: Simone Afonso Boasorte, profissional à época do PSF. Os olhares desses profissionais doam atenção, respeito e dedicação aos seus pacientes. Para mim esses profissionais evocavam força e equilíbrio, força motriz para o mitigo da dor do outro que ia além de uma prescrição de remédios.
Posto isso, a atitude de prestar serviço de saúde para a comunidade com o mínimo de decência e respeito deveria ser para nós algo natural e não fora do comum. Infelizmente, sabemos ao transitarmos pelos grandes centros de nosso país e porque não em nossas cidades do estado, que isso não acontece. Ainda que o meu olhar seja limitado para saber as causas desse processo de impessoalidade e banalização da vida humana, percebo que há um negligenciamento por parte de alguns gestores públicos para a efetiva prestação de qualidade da nossa saúde. Vivemos tempos em que a sociedade vive num “mundo em descontrole”, como bem afirmou Antony Giddens. Habitamos um mundo caótico, ou numa concepção baumaniana, um mundo marcado pelas relações líquidas em que os descartes tornam-se valorizados para a convivência humana. São os tempos líquidos, tempos esses que coisificam o humano e alienam o processo do convívio social e do processo de exercício das profissões. Com a saúde não seria diferente: médicos (e pacientes) estressados, coisificados, mal pagos, sem condições mínimas de atuação profissional. Pacientes deixados como animais nos corredores de hospitais para o ‘abatimento social’. Muitos deixarão de existir não porque os médicos falharam, mas, porque o sistema falhou e negligenciou em suas políticas públicas de saúde o mínimo para o cidadão. Assim sendo, pude perceber que o caos das relações humanas é subvertido por esses médicos que teimam oferecer algo a mais que um simples olhar técnico e prescritivo aos seus pacientes. É sovertido esse caos porque atendem aos pacientes olhando nos seus olhos, vendo-os como pessoas humanas. Atentos não somente ao ser biológico, mas, ao ser psico-bio-socio-cultural que somos.
Diante do que analisei em relação à atual conjuntura dos médicos no país, algo me deixou pensativo em relação ao programa PSF e ao profissional Leonardo Carvalho e a tantos outros que possam existir por aí. Sem o devido investimento neste profissional, a comunidade local pouco poderá usufruir. Primeiro que, quem é bom naquilo que faz quer ser reconhecido também como tal em nível salarial. Quem quer o respeito como profissional exige condições mínimas para suturas e feitura de curativos, remédios de menor complexidade acessíveis para a população. Ou seja, os médicos e demais profissionais querem o básico de toda prestação de saúde com o mínimo de qualidade. Segundo, quem oferece o melhor quer o melhor como retorno. Portanto, constato, após voltar três vezes no Jardim Suíço, que a comunidade atesta a prestação de serviço humanizada dada pelo médico em questão. No entanto, sem investimento e políticas públicas de permanência desse bom profissional médico a sua saída futura poderá ser inevitável. Como já aconteceu com a médica Simone Boasorte e tantos outros em nossa cidade.
O que quero dizer com isso? Quero (re)afirmar a necessidade de se investir no profissional médico que trata os seus pacientes como seres humanos, com atenção e respeito. São esses profissionais que a sociedade necessita valorizar e que o prefeito tem de ter participação. Os profissionais que prestam serviço público de qualidade deveriam ser os melhores remunerados porque o país, o Estado, os municípios, a sociedade, ganhariam com o bem estar dos cidadãos e estariam reconhecendo o direito alienável à saúde tão preconizado pela Constituição Federal em seu artigo sexto. Afinal, não basta que pague bolsas de estudo e permanência pelo país afora sem que haja condições mínimas de atuação do médico na comunidade local. Defendo por exemplo, a permanência do profissional (professor, médico etc.) próximo à comunidade. Os laços que se estreitam estabelecem vínculos importantes na compreensão do ser humano que vir a adoecer ou ter dificuldades de aprendizagem. No entanto, parece que os bons profissionais se não bem reconhecidos, fogem dessa comunidade rumo a outros centros/setores que os valorizem. Há uma política instituída do desafeto em nossos setores públicos na medida em que não há a possibilidade de profissionais serem concursados. Portanto, os contratos temporários de prestação de serviços abarrotam o serviço público sem oportunizar o acesso ao profissional competente assumir o concurso público.
 Por fim, com a mesma leveza e atenção dada a mim e a tantos ouros pacientes dessa comunidade da qual faço parte, escrevo esse texto para materializar a minha gratidão por ainda haver profissionais dedicados em seu ofício escolhido. Profissionais da envergadura de Simone Boasorte, Aline de Almeida, Leonardo Carvalho, quero aqui, que a vozes dos pacientes anônimos se entrecruzem à minha para dizer que temos orgulho da profissão escolhida por vocês. Leonardo Carvalho, que a sua prestação de serviço continue indo além do simples olhar técnico. A sua dedicação pelo que constatei, vai de encontro aos moldes avançados de outros países que preconizam ouvir o paciente, tratá-lo como humano (de forma pessoalizada). Sabemos que, para compreender e curar uma patologia é necessária a compressão do humano como uma teia complexa de relações psicossociais. Afinal, somos mais que unidades biológicas. Somos seres psíquicos, culturais, sociais e espirituais. E como tais, somos seres humanos com histórias, vivências e culturas localizadas em tempos e espaços diferentes. Obrigado pela prestação de serviço na comunidade do Jardim Suíço em Anápolis. Você é motivo de orgulho de todos nós que convivemos nessa jornada social diária.  
Texto publicado no Diário da Manhã/Opinião Pública em 23out.2013. Disponível em: <http://www.dm.com.br/jornal/#!/view?e=20131023&p=24>